Montar um dossiê médico INSS robusto pode parecer complicado, mas é um passo importante para garantir que você receba o benefício a que tem direito. Não se trata apenas de ter uma doença, mas de provar como ela afeta sua capacidade de trabalhar. Este guia vai ajudar você a organizar a documentação necessária, focando no que realmente importa para a perícia médica. Vamos lá?
Pontos Chave sobre Como Montar um Dossiê Médico INSS
A perícia médica do INSS foca na sua capacidade de trabalho, não apenas no diagnóstico. Apresente como a doença limita suas funções.
Organize seus documentos de forma clara e cronológica, sem lacunas. Laudos, exames e relatórios devem estar atualizados e ser fáceis de entender.
Conecte suas limitações com as exigências da sua profissão. Explique por que você não consegue mais realizar suas tarefas habituais.
Documentos como CAT, PPP e LTCAT são importantes se sua incapacidade estiver ligada ao trabalho. Mantenha seu CNIS em dia para evitar problemas no cálculo do benefício.
Prepare um resumo executivo para o perito e digitalize tudo corretamente no Meu INSS. Fique atento aos prazos para prorrogação, recursos e convocações.
Compreendendo a Perícia Médica do INSS
A perícia médica do INSS é um passo importante para quem busca benefícios por incapacidade. Mas, vamos ser claros, não é só apresentar um atestado médico e pronto. O INSS quer saber se a sua condição de saúde realmente te impede de trabalhar. E, mais do que isso, se essa incapacidade tem relação com o seu trabalho, quando for o caso.
O Que é Avaliado na Perícia Médica
Na prática, o perito do INSS não está apenas olhando para o nome da sua doença. O foco principal é a sua capacidade funcional.
Ou seja, o quanto você consegue ou deixou de conseguir fazer em relação às suas atividades de trabalho habituais. Eles avaliam se a sua limitação é temporária ou permanente e, em algumas situações, se ela surgiu por causa do seu trabalho. É uma análise técnico-jurídica, que usa sua condição de saúde para decidir sobre o seu direito ao benefício.
Diferença Entre Diagnóstico e Incapacidade Funcional
Muita gente confunde ter uma doença com estar incapacitado para o trabalho. Você pode ter um diagnóstico, como diabetes ou uma dor crônica, mas ainda assim conseguir exercer sua função. A perícia busca justamente essa diferença.
O que importa não é apenas o diagnóstico em si, mas como ele afeta suas atividades diárias e profissionais. Por exemplo, um problema na coluna pode ser um diagnóstico, mas a incapacidade funcional se manifesta na dificuldade de levantar peso, sentar por longos períodos ou se movimentar, dependendo da sua profissão.
O Papel do Nexo Ocupacional no Processo
O nexo ocupacional é a ligação entre a sua doença ou lesão e o trabalho que você exerce. Se a sua condição de saúde foi causada ou agravada pelo seu ambiente de trabalho ou pelas atividades que você realiza, isso é chamado de nexo ocupacional.
Comprovar esse nexo é importante, especialmente para benefícios como o auxílio-acidente ou para garantir que o benefício seja concedido com regras mais favoráveis, como o cálculo integral do salário. Documentos como a CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho), o PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) e o LTCAT (Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho) são essenciais para demonstrar essa relação.
Montando o Dossiê Médico Essencial
Para que o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) possa avaliar corretamente sua situação, é preciso apresentar um conjunto de documentos que comprovem sua condição de saúde e as limitações que ela impõe.
Não basta apenas ter um diagnóstico; é preciso mostrar como essa condição afeta seu dia a dia e, principalmente, sua capacidade de trabalhar. Pense nisso como montar um quebra-cabeça onde cada peça é um documento que, junto, forma a imagem clara da sua incapacidade.
Documentação Clínica Fundamental: Laudos e Exames
A base de qualquer dossiê médico são os laudos e exames. Eles são a prova concreta do seu estado de saúde. É importante que esses documentos sejam recentes e detalhados. Um laudo médico, por exemplo, deve vir com a assinatura, carimbo e o número do registro profissional (CRM) do médico. Ele precisa descrever o que foi constatado, o histórico da doença e os tratamentos que já foram feitos ou que estão em andamento.
Relatórios Médicos: Devem ser claros quanto ao diagnóstico (com CID, se possível), a evolução da doença, os tratamentos realizados e os resultados. É aqui que o médico deve detalhar as limitações funcionais que a doença causa.
Exames de Imagem e Laboratoriais: Raio-X, ressonâncias magnéticas, tomografias, exames de sangue, entre outros, são importantes para confirmar o diagnóstico e mostrar a extensão do problema.
Exames Funcionais: Dependendo da condição, exames como eletromiografia, audiometria, espirometria ou testes ergonômicos podem ser necessários para comprovar a perda de função.
É comum que as pessoas se concentrem apenas no nome da doença. No entanto, o INSS avalia a incapacidade funcional. Ou seja, o que você deixa de fazer por causa da doença, e não apenas o nome dela.
A Importância do Relatório Médico Detalhado
Um relatório médico genérico pode não ser suficiente. O ideal é que o médico que acompanha o paciente há mais tempo, e que conhece a fundo sua condição, elabore um relatório específico para o INSS. Este documento deve ir além do diagnóstico e focar nas consequências práticas da doença para a vida laboral.
Um relatório bem estruturado geralmente inclui:
Identificação completa do paciente: Nome, CPF, data de nascimento.
Diagnóstico principal e comorbidades: Com os códigos CID, se disponíveis.
História clínica: Como a doença começou, como evoluiu, quais tratamentos foram tentados e quais estão em uso.
Exames relevantes: Mencionar os exames mais importantes, com datas e resultados que sustentam o diagnóstico e as limitações.
Limitações funcionais: Descrever de forma objetiva o que o paciente não consegue mais fazer. Por exemplo, em vez de dizer “dor nas costas”, descrever “incapacidade de permanecer sentado por mais de 30 minutos” ou “dificuldade em levantar peso acima de 5kg”.
Prognóstico: Uma estimativa sobre o tempo de afastamento necessário, se há necessidade de reabilitação ou cirurgia.
Conclusão: Um resumo que justifique a incapacidade para o trabalho.
Utilizando Escalas e Métricas Objetivas
Para dar mais peso ao seu dossiê, o uso de escalas e métricas objetivas pode fazer uma grande diferença. Elas transformam as limitações subjetivas em dados concretos, que são mais fáceis de serem compreendidos e aceitos pelo perito.
Escalas de Dor: Como a Escala Visual Analógica (EVA) ou a Escala Numérica de Dor (END), que ajudam a quantificar a intensidade da dor.
Escalas de Avaliação Funcional: Existem diversas escalas que medem a capacidade de realizar atividades básicas do dia a dia (como as escalas de Katz ou Barthel) ou atividades mais complexas. Elas são especialmente úteis em casos de doenças neurológicas, psiquiátricas ou ortopédicas graves.
Registros de Crises: Manter um diário onde são anotadas a frequência, duração e intensidade das crises (no caso de doenças como epilepsia, transtornos de ansiedade, etc.) pode ser muito importante.
Relatórios Multiprofissionais: Se você faz acompanhamento com fisioterapeutas, terapeutas ocupacionais, psicólogos ou fonoaudiólogos, os relatórios desses profissionais podem trazer informações valiosas sobre suas limitações e progressos (ou a falta deles).
Lembre-se, quanto mais objetivas e comprováveis forem as informações apresentadas, maior a chance de o seu pedido ser analisado de forma favorável. A organização e a clareza dos documentos são seus maiores aliados nesse processo.
Evidenciando a Incapacidade Laborativa

O cerne da perícia médica do INSS não é apenas comprovar a existência de uma doença, mas sim demonstrar como essa condição afeta sua capacidade de trabalhar. É preciso conectar o diagnóstico médico com as limitações funcionais que impedem o exercício da sua profissão habitual. Sem essa ligação clara, mesmo um quadro clínico grave pode ser considerado não incapacitante para fins previdenciários.
Relacionando Limitações com Exigências Profissionais
Para que o perito compreenda a extensão do seu impedimento, é vital detalhar as exigências da sua função e como suas limitações as tornam inexequíveis. Não basta dizer que sente dor; é preciso explicar como essa dor impede, por exemplo, de ficar sentado por longos períodos, levantar peso ou realizar movimentos repetitivos, se essas são tarefas do seu dia a dia.
Descreva sua função: Detalhe as atividades diárias, o ambiente de trabalho e as demandas físicas e mentais. Se possível, anexe documentos como o Perfil Profissiográfico Previdenciário (PPP) ou descrições de cargo.
Liste suas limitações: Seja específico sobre o que você não consegue mais fazer ou o que faz com grande dificuldade devido à sua condição de saúde.
Faça a conexão: Explique claramente como cada limitação impacta diretamente as exigências da sua profissão.
Por exemplo, um motorista que desenvolve uma condição que causa tontura e perda de equilíbrio pode ter seu diagnóstico de labirintite reconhecido, mas o benefício só será concedido se ficar demonstrado que essas limitações o impedem de dirigir com segurança, uma exigência inerente à sua profissão.
Descrevendo Limitações Funcionais de Forma Objetiva
A subjetividade pode ser um obstáculo. Sempre que possível, utilize dados objetivos para descrever suas limitações. Isso pode incluir:
Resultados de exames: Laudos de ressonância magnética, tomografias, exames de sangue, eletrocardiogramas, entre outros, que mostrem a extensão do dano ou da disfunção.
Escalas de dor e funcionalidade: Questionários padronizados que quantificam a intensidade da dor (como a Escala Visual Analógica – EVA) ou o grau de comprometimento funcional.
Relatórios de fisioterapia ou terapia ocupacional: Documentos que detalham a evolução do tratamento, a capacidade de realizar movimentos, a força muscular e outras métricas funcionais.
Atestados e relatórios médicos: Devem ser claros quanto ao diagnóstico, tratamento, prognóstico e, principalmente, às limitações impostas pela condição.
A clareza na descrição das limitações é um fator determinante no dossiê médico INSS. Evite termos vagos e concentre-se em como a condição restringe suas atividades diárias e laborais, sempre que possível, com base em evidências concretas.
Comprovando a Inviabilidade de Reabilitação Profissional
Em alguns casos, o INSS pode propor a reabilitação profissional como alternativa à aposentadoria por incapacidade permanente. Para que o benefício seja concedido, é importante demonstrar que a reabilitação não é uma opção viável.
Doenças progressivas ou incuráveis: Condições que tendem a piorar com o tempo e não respondem a tratamentos, tornando a reinserção em qualquer atividade laboral improvável.
Sequelas graves e permanentes: Perdas funcionais significativas que limitam severamente a capacidade de aprendizado ou adaptação a novas funções.
Comorbidades: A presença de múltiplas condições de saúde que, somadas, criam barreiras intransponíveis para a reabilitação.
Idade avançada e tempo de contribuição: Em alguns cenários, a idade e o longo histórico profissional podem tornar a reabilitação menos eficaz ou pertinente.
É fundamental que o dossiê médico INSS apresente um histórico claro da evolução da doença, a resposta (ou falta dela) aos tratamentos e a perspectiva de recuperação ou adaptação. Se você já passou por processos de reabilitação sem sucesso, documente isso. A recusa injustificada à reabilitação pode levar à suspensão do benefício, por isso, a argumentação deve ser sólida e bem fundamentada.
Documentos Ocupacionais e Previdenciários no Dossiê médico INSS

Para construir um dossiê médico INSS forte, é crucial ir além dos relatórios clínicos e incluir documentos que conectam sua condição de saúde ao seu trabalho e ao seu histórico previdenciário. Esses papéis ajudam a provar não apenas que você está doente, mas também como a doença afeta sua capacidade de trabalhar e se você tem direito aos benefícios.
A Relevância da CAT, PPP e LTCAT
Esses documentos são especialmente importantes se você acredita que sua incapacidade está ligada a um acidente de trabalho ou a uma doença ocupacional. Eles ajudam a estabelecer o nexo entre sua condição e as atividades laborais.
CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho): Se você sofreu um acidente ou desenvolveu uma doença relacionada ao trabalho, a CAT é o primeiro passo. Ela deve conter uma descrição clara do ocorrido, a data e, se possível, testemunhas. É a base para caracterizar o evento como acidentário.
PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário): Este documento detalha sua exposição a agentes nocivos durante o período em que trabalhou em determinada empresa. Ele descreve os riscos presentes no ambiente de trabalho, o uso de equipamentos de proteção (EPI/EPC) e o tempo de exposição. É uma prova direta das condições laborais.
LTCAT (Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho): Similar ao PPP, o LTCAT é um laudo técnico que avalia os riscos ambientais no local de trabalho. Ele é fundamental para comprovar a existência de condições especiais que podem ter contribuído para sua incapacidade.
Auditoria e Organização do CNIS
O Cadastro Nacional de Informações Sociais (CNIS) é um extrato do seu histórico de contribuições previdenciárias. É essencial que ele esteja correto e completo no dossiê médico INSS.
Verificação: Confira se todos os seus vínculos empregatícios, períodos de contribuição, afastamentos e alterações de remuneração estão registrados corretamente.
Correção: Se houver inconsistências, como vínculos ausentes ou dados errados, é preciso solicitar a correção junto ao INSS. Um CNIS desatualizado pode prejudicar o cálculo do seu benefício ou até mesmo a concessão dele.
Linha do Tempo: DII e Marcos de Afastamento
Organizar uma linha do tempo clara dos eventos é uma estratégia poderosa para montar um dossiê médico INSS completo.
DII (Data de Início da Incapacidade): Tente identificar a data mais provável em que sua incapacidade começou. Isso pode ser diferente da data em que você parou de trabalhar ou buscou o benefício.
Marcos de Afastamento: Registre todas as datas de início e fim de cada afastamento do trabalho, seja por auxílio-doença, licença médica ou outros motivos. Inclua também as datas de perícias e os resultados obtidos.
A organização desses documentos não é apenas uma formalidade. Ela constrói uma narrativa coesa que demonstra ao perito e ao analista do INSS a evolução da sua condição e o impacto direto dela na sua vida profissional. Cada papel tem um peso e, juntos, eles formam a base sólida para o seu pedido de benefício. Um dossiê médico INSS bem montado pode fazer toda a diferença entre o deferimento e o indeferimento do seu pedido.
Organização e Protocolo do Dossiê Médico INSS
A entrega de um dossiê médico INSS bem estruturado faz toda a diferença durante o processo de avaliação na Previdência. Organizar e protocolar corretamente seus documentos não só facilita a análise do perito, como reduz riscos de indeferimento por falta de informações ou de provas importantes. Sim, um passo que parece simples pode ser a diferença entre conseguir ou não o benefício.
Digitalização e Nomeação de Arquivos no Meu INSS
Digitalize todos os documentos em PDF (resolução de 300 dpi), evitando fotos distorcidas ou arquivos ilegíveis;
Nomeie cada arquivo de forma clara: 01_RelatorioMedico_2025-10-30, 02_ExameLaboratorial_2025-09-21, 03_CAT; mantenha a ordem cronológica ou de importância;
Prefira um documento por arquivo: facilitará o acesso do perito e diminui chance de arquivos corrompidos ou confusos;
Utilize o campo “Outros documentos” para anexar papéis ocupacionais caso não haja categoria específica;
Garanta que cada laudo tenha identificação e assinatura profissional (CRM/CRO/COREN), e laudos de imagem venham com relatório legível.
Estrutura e Apresentação do Dossiê Médico INSS
Uma apresentação lógica e sequencial torna o processo menos desgastante para quem julga e para você, que precisa acompanhar.
Capa com identificação do segurado e resumo do pedido;
Listagem dos documentos anexados (índice);
Relatório médico detalhado – data, diagnóstico, CID, limitações funcionais e histórico de reabilitações frustradas;
Exames clínicos e funcionais (ordem do mais recente ao mais antigo);
Relatórios multiprofissionais (psicologia, fisioterapia, terapia ocupacional);
Documentos ocupacionais e previdenciários: CAT, PPP, LTCAT, CNIS atualizado, CTPS, comprovantes de períodos especiais;
Linha do tempo (DII, afastamentos, tentativas de retorno);
Declarações e comprovantes de despesas se for relevante (por dependência ou custos com saúde).
Organizar o dossiê médico INSS com clareza é meio caminho andado; o perito valoriza informações objetivas, sem lacunas nem excesso de papéis desnecessários.
Resumo Executivo: Síntese para o Perito
O resumo executivo serve como um atalho para o entendimento geral do caso. Seja prático, sem repetir laudos ou frases longas.
Fatos principais: diagnóstico, DII (data de início da incapacidade), afastamentos, tentativas de reabilitação e situação atual;
Limitações funcionais já comprovadas (ex: “incapacidade de levantar peso acima de 5 kg com o braço direito”, “impossível manter atenção contínua por mais de 20 minutos”);
Pedido claro: auxílio por incapacidade temporária ou aposentadoria por incapacidade permanente;
Referência à documentação anexa (exemplo: “exames em anexo de páginas 12 a 18 comprovam a progressão da doença”).
Tabela de Estrutura Sugerida para o Dossiê Médico INSS:
|
Ordem |
Documento |
Observação |
|---|---|---|
|
1 |
Capa + Índice |
Nome, benefício solicitado |
|
2 |
Resumo Executivo |
1–2 páginas, linguagem simples |
|
3 |
Relatórios Médicos |
Detalhados, assinados, datados |
|
4 |
Exames Complementares |
PDF legível, último ano prioritário |
|
5 |
Relatórios Multiprofissionais |
Se disponíveis |
|
6 |
CAT/PPP/LTCAT |
Para doenças/acidentes ocupacionais |
|
7 |
CNIS e Documentos Previdenciários |
Auditado, sem lacunas |
|
8 |
Linha do Tempo (DII/DIB) |
Datas, afastamentos, tentativas |
|
9 |
Comprovantes de Despesas |
Se relevantes ao caso |
Conferir tudo antes de protocolar no Meu INSS poupa erros bobos e retrabalho. Não corra para montar o dossiê – revise cada parte, veja se está claro, objetivo e fácil de entender para quem não conhece sua rotina. Esse cuidado faz toda diferença no resultado final.
Estratégias para a Perícia e Pós-Perícia

Chegar bem preparado para a perícia médica do INSS é um passo importante, mas saber o que fazer depois, caso o resultado não seja o esperado, também faz toda a diferença. Vamos detalhar como conduzir esse momento e o que fazer nas etapas seguintes.
Conduzindo a Perícia Médica com Segurança
O dia da perícia exige atenção aos detalhes. É o momento de apresentar suas condições de saúde de forma clara e objetiva para o perito. Lembre-se que o foco não é apenas a doença em si, mas como ela afeta sua capacidade de trabalhar.
Leve toda a documentação organizada: Inclua laudos recentes, exames, relatórios médicos e, se aplicável, documentos ocupacionais como o PPP e o LTCAT. Se você usa óculos, aparelhos auditivos ou bengalas, leve-os consigo.
Seja preciso ao descrever suas limitações: Em vez de apenas dizer que sente dor, explique o que essa dor impede você de fazer no dia a dia e no trabalho. Por exemplo, em vez de “dor nas costas”, diga “não consigo levantar peso ou ficar mais de uma hora sentado sem sentir dor intensa”.
Apresente o resumo executivo: Um documento de uma ou duas páginas com os pontos mais importantes do seu caso pode ajudar o perito a ter uma visão rápida e clara da sua situação.
Comunique-se com calma: Evite dramatizar ou minimizar seus sintomas. Descreva sua realidade de forma factual.
A perícia avalia a sua incapacidade funcional, ou seja, o quanto suas limitações impedem você de exercer suas atividades laborais. Por isso, conectar seus sintomas e diagnósticos com as exigências do seu trabalho é fundamental.
Prazos Críticos: Prorrogação, Recurso e Convocações
Entender os prazos e os procedimentos após a perícia é crucial para não perder direitos.
Prorrogação do Auxílio-Doença: Se você está recebendo auxílio-doença e precisa de mais tempo, o pedido de prorrogação deve ser feito nos últimos 15 dias do benefício. É importante apresentar novos exames ou relatórios que comprovem a manutenção da incapacidade.
Recurso Administrativo: Caso seu benefício seja negado ou cessado e você discorde da decisão, é possível entrar com um recurso administrativo no próprio INSS. Você terá um prazo para apresentar novos documentos ou argumentar contra a decisão.
Perícias de Reavaliação: O INSS pode convocar segurados em auxílio-doença para passar por perícias periódicas (o chamado “pente-fino“). Comparecer a essas convocações é obrigatório.
O Que Fazer Diante de um Indeferimento
Um indeferimento pode ser frustrante, mas existem caminhos a seguir.
Analise o motivo do indeferimento: Verifique no extrato do INSS ou no laudo pericial qual foi a justificativa para a negativa.
Reúna novas evidências: Se o motivo foi a falta de comprovação da incapacidade, busque novos laudos, exames ou um parecer técnico particular que detalhe suas limitações funcionais e as relacione com seu trabalho.
Considere o Recurso Administrativo: Utilize o prazo para apresentar sua defesa e as novas provas. Destaque inconsistências no laudo pericial, se houver.
Avalie a via judicial: Se o recurso administrativo não for bem-sucedido, ou se o caso for complexo, uma ação judicial com perícia realizada por um médico especialista nomeado pelo juiz pode ser uma alternativa. Nesse caso, é recomendável buscar orientação de um advogado especializado em direito previdenciário.
Conclusão
Organizar um dossiê médico INSS pode parecer complicado, mas é um passo fundamental para garantir que seu direito ao benefício seja reconhecido. Ao reunir todos os documentos necessários de forma clara e objetiva, você facilita o trabalho do perito e aumenta suas chances de sucesso.
Lembre-se de que a consistência entre os laudos, exames e a descrição das suas limitações é o que realmente importa. Mantenha seus documentos em ordem, respeite os prazos e, se tiver dúvidas, busque orientação. Um dossiê médico INSS bem estruturado é a base para uma perícia justa e para a obtenção do benefício adequado à sua condição.
Perguntas Frequentes sobre Dossiê Médico INSS
O que o INSS realmente olha na perícia médica?
O INSS não quer saber só o nome da sua doença. Eles querem ver se essa doença te impede de trabalhar. É como se eles quisessem saber se você consegue pegar coisas pesadas, ficar muito tempo em pé ou sentado, ou se sua dor te atrapalha no dia a dia. Eles comparam o que você não consegue mais fazer com o que sua profissão exige.
Por que é tão importante ter um relatório médico completo?
Um relatório completo é como um mapa para o perito. Ele mostra tudo sobre sua saúde: qual o problema (doença), o que já foi tentado para melhorar (tratamentos), o que os exames mostram e como isso te afeta no dia a dia. Sem isso, o perito pode não entender a gravidade da sua situação e achar que você está bem para trabalhar.
O que significa ‘nexo ocupacional’ e por que ele é importante?
Nexo ocupacional é a ligação entre o seu trabalho e a doença que você tem. Se o seu trabalho causou ou piorou a doença, isso é o nexo. Ter isso provado é muito importante porque pode te dar direito a benefícios melhores, como não precisar ter contribuído tanto tempo antes e receber um valor maior.
Como eu mostro que não consigo me reabilitar para outro trabalho?
Para provar que você não pode ser reabilitado, você precisa mostrar que já tentou outros tratamentos ou trabalhos e não deu certo por causa da sua condição de saúde. É importante ter relatórios médicos e, se possível, de outros profissionais, explicando por que você não tem mais condições de aprender ou fazer outra atividade.
O que são os documentos ‘PPP’, ‘LTCAT’ e ‘CAT’ e para que servem?
Esses documentos falam sobre as condições do seu trabalho e se ele te expôs a riscos. O PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário) e o LTCAT (Laudo Técnico das Condições Ambientais de Trabalho) descrevem o ambiente e os perigos. A CAT (Comunicação de Acidente de Trabalho) é para avisar o INSS se você sofreu um acidente ou pegou uma doença por causa do trabalho. Eles ajudam a provar o nexo ocupacional.
Se o meu benefício for negado, o que eu faço?
Se o INSS negar seu benefício, não desanime! Você tem um prazo para entrar com um recurso, que é um pedido para eles reavaliarem sua situação. É importante nesse momento juntar ainda mais provas, como laudos novos ou mais detalhados, e explicar por que você acha que a decisão inicial foi errada. Se mesmo assim não der certo, você pode procurar a justiça.





















